Rafael Lima e Novidades

Fala meu povo que curte uns rock doido. Hoje ANCDR conseguiu uma entrevista exclusiva com Rafael Lima. O cara que é dono de uma voz potente e super afinada, além de ser um compositor de mão cheia, já tem uma longa bagagem na música, e agora ta na pista levando seu projeto solo novamente à frente, trazendo novo trabalho. Se liga aí no que o mano desenrolou com a gente e viva o rockêêê!

 

01 – Agora com a oficialização do seu projeto paralelo solo, vem som novo por aí?

R: É legal explicar antes porque é interessante, mas na verdade meu projeto solo sempre existiu. A grande verdade é que eu saí do meu projeto solo pra criar a Memora, meu projeto solo vem da época em que as grandes redes sociais que tínhamos eram o Twitter, o Tumblr e era a entressafra do fim do Orkut e o início do Facebook, então a sensação é que meu projeto solo é novo, mas vem desde 2010, inclusive os meus dois primeiros discos solo (Faltam Dois Dias e #F2D) foram lançados pelo Twitter, num esquema em que ia liberando links faixa-a-faixa e a galera ia baixando os álbuns, isso em 2010/2011 – o que sem eu saber, seria uma prévia das redes de streaming de hoje – e ao todo tenho três discos solo lançados: FALTAM DOIS DIAS (2010), #F2D (2011) e MAIS ALTO QUE ANTES (2014). Os anos passaram, a internet mudou e com a exposição e o alcance da banda, minha cara ficou mais conhecida e as pessoas começaram a se assustar, achando que eu tava começando um projeto novo e que eu ia sair da Memora: NÃO VOU SAIR DA BANDA! rsrs
 
Sobre o som novo, também cabe explicar: os últimos 6 anos com a Memora foram muito intensos, de muito trabalho: desde a imersão na cena independente, até Rock In Rio, gravação do nosso DVD e minha vida pessoal, com a morte do meu pai, em 2018. A minha relação com a música começou a ficar estranha, burocrata, cansativa. Eu comecei a perder o prazer de compôr, gravar, tocar, foi tudo ficando muito cinza… E eu não poderia deixar aquilo que eu amo virar essa zona cinza, sem paixão. Então comecei a reunir umas composições e no meio do ano passado, lancei um single nas redes de streaming chamado TUDO QUE EU COSTUMAVA SER. Seria o início do processo do meu quarto álbum de inéditas, mas a vida tem suas dinâmicas e após uma série de processos musicais maravilhosos que tive a oportunidade de imergir tanto na produção, como sendo músico (projeto esses como VELATURA, BORDEAUX, WORKING MEN), no Carnaval desse ano, decidi fazer um disco de versões. Eu tava me reencontrando com a música de peito aberto e aquilo me veio de forma tão intensa, como um chamado, um resgate, daí vem o nome do disco: DIVERSOM. É um disco novo de velhas canções novas, porque música não envelhece e tem um quê de autoralidade no disco, já que será a minha forma de contar canções tão emblemáticas na minha vida e na vida de tanta gente…
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02 – Após mais de 6 anos se dedicando a composições para Memora, qual tipo de som que você quer trazer no projeto solo?
R: É como eu falei na pergunta anterior, no DIVERSOM, vai ser um jeito meu de contar e cantar músicas que a gente conhece. Mas meu intuito é realmente deslocar as canções do seu lugar de origem, mas também manter certos arranjos, ou momentos importantes de cada canção, preservando seus DNA’s. É um tributo, uma homenagem a diversos artistas que nos contagiaram e contaminaram com suas artes ao longo do tempo. O meu DNA é o groove e ele tá presente no disco, mesmo nas canções que ganharam roupagem mais emocional ou confessional, mas estou experimentando de tudo: ruídos, teclados, sintetizadores, samplers, viagens outras. Esse é o lado bom de ter seu próprio estúdio e poder ter tempo de maturar cada canção e experimentar o universo de cada uma numa versão full. É mais um disco onde assino tudo: todos os instrumentos, mixagem e masterização.
 
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03 – Muito se fala sobre o cenário rock n roll (mainstream e independente), alguns dizem que o rock está morto, outros acham que esse é o momento que ele está renascendo forte.
Qual sua opinião sobre isso?
R: Minha opinião é que o rock é música antes do movimento e músicas são eternas, então o rock nunca morrerá. Acho que esse renascimento existe no que tange ao movimento comportamental. O Rap hoje faz a vez da voz de protesto que o rock fizera há 60, 50 e 40 anos atrás, por sua vez, o rock – e aí falando de rock no Brasil – não chega com intensidade num Brasil mais profundo que é onde essa voz de protesto mais encontra eco. As periferias já têm menos acesso ao rock e as periferias vivem as cenas de protesto, de recusa, de omissão de gestão pública, de crises… Cenário perfeito onde o Rap e o Funk cumprem – e diga-se de passagem, lindamente – esse papel, de retratar na música e na arte, a realidade dura às vezes, peculiar outras vezes.
 
É difícil, por exemplo, me associarem ao rock num primeiro momento porque o fato de eu ser negro no Brasil, significa que eu sou do pagode ou do samba e olha que o rock é uma música completamente negra, oriunda do jazz que também é negro. Acho que faltam mais artistas negros no rock do Brasil, pra que os meninos e meninas negros brasileiros também se sintam representados culturalmente e artisticamente nesse lugar. Falo um pouco mais de ênfase nas questões raciais porque elas se entrelaçam com as sociais aqui no Brasa, já que a maioria dos guetos e periferias locais são constituídos de pessoas majoritariamente negras.
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04 – Com experiência de anos trabalhando com música, principalmente no rock, qual a principal dificuldade para bandas independentes conseguirem se manter no mercado?
R: Falta uma visão mais profissional da coisa e menos de pátio de colégio. Em algum momento, dentro de uma cena, parece que fazemos música mais pra estarmos inseridos numa galera do que pra viver profissionalmente disso. Acho que falta mais estruturação de bloco, por exemplo: a galera em SP têm a Elemess que é uma produtora de conteúdo artístico que começou agenciando o Supercombo, Scalene, Far From Alaska, Medulla (que saiu da cena do RJ pra viver essa maturidade de mercado profissional lá) e com o trampo de qualidade que foram apresentando, hoje, agenciam até Pitty. Mas os caras reuniram uns amigos da fotografia, do audiovisual, criaram uma puta estrutura e tão aí ganhando o mundo fazendo o rolê de uma forma estruturada, valendo dinheiro e criando estruturas. Acho que falta mais coisas desse tipo. Quando se apresenta um trampo de qualidade, isso vai chegar nas pessoas, o network vai se ampliando porque nas oportunidades que pintam, você chega certo, com trabalho bem feito, pleno!
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05 – Quais são os objetivos, seu e da Memora, para o presente e futuro próximo?
R: Entrar no cast da Elemess! rsrsrs – (Vai que…) – A real é chegar nesse patamar de trabalho bem feito sempre e conquistar mais e mais pessoas, chegar a mais e mais lugares levando nossa verdade, nossa música, nossa arte.
 
Eu lanço os singles do Diversom a cada 15 dias começando sexta 26/04/19 e logo menos o disco sai com tudo que tem direito: clipe, video lyrics e todos os afins.
 
Memora lança DVD logo menos também, estamos na fase de edição do vídeo, áudio já está pronto e logo logo chegamos com tudo isso também.
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06 – Valeu Rafa!! Desejamos mutia boa sorte. ANCDR agradece pela atenção e deixa aqui um espaço para suas considerações finais.
R: Muito obrigado pelo espaço e pelo carinho com meu trabalho. Foi maneiríssimo responder às perguntas de vocês e pra galera conhecer meu trabalho, segue lá no Twitter: @limamemorabilia, no instagram: @rafaelimasolo, no facebook: www.facebook.com/rafaelimasolo e no canal do YouTube: https://www.youtube.com/channel/UC-aGdrKqzyluKn5ag4y0C_w
Beijão pra geral e fiquem bem!

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